Esse post talvez seja o mais difícil para eu escrever e não é porque me faltam palavras, mas na verdade é porque eu tenho tanto para falar sobre o assunto, e tenho estudado ele sobre tantos pontos de vista que é muito difícil para mim criar um post leviano como os muitos que tenho visto espalhados pela internet.
Explico. É muito comum encontrar na internet vídeos e blogs falando apenas sobre os benefícios da meditação, apresentando inúmeros estudos acadêmicos para comprovar o quanto a meditação é importante no seu dia a dia para aliviar o stress, ter uma boa noite de sono, uma boa memória e um melhor desempenho nos estudos e no trabalho. É verdade que tudo isso é possível quando estamos em nosso melhor estado mental, mas essa é uma maneira muito ocidental de entender a meditação.
Por sorte muitos mestres têm surgido nos últimos anos apresentando a “verdadeira” meditação, a verdadeira forma de meditar. Alguns a quem tenho bastante apreço e respeito chegam a viajar para o Himalaia ou Tibet para encontrar a verdadeira meditação e o que eles trazem das práticas orientais são difíceis de conceber para o mundo moderno ocidental. Primeiramente, a meditação não deve ser vista como um mecanismo, uma maneira de aliviar o stress, de dormir bem ou coisa do tipo, pois ela é um fim em si. É o que o ocidente conseguiu, em um de seus maiores esforços de sistematização, classificar por “Mindfulness”.
A Busca pelo Silêncio – Como realizar a meditação “Mindfulness”
Essa meditação tradicional chamada Vipassana, muito utilizada por monges budistas e taoístas, e que nos últimos anos ficou popularizada como meditação da Atenção Plena ou ‘Mindfulness’ no ocidente, é realizada da seguinte forma, você deve encontrar uma posição confortável, seja em postura de lótus, de joelhos ou até mesmo sentado, mas sem que essa postura lhe traga sono, você não deve meditar deitado ou reclinado em uma poltrona para que sua consciência não se perca durante a meditação.
Encontrada uma postura tranquila, devemos colocar a palma da mão esquerda sobre a direita, encostando a ponta dos dedões. Isso é importante para medir o nosso estado de relaxamento, se os dedões estiverem se apertando significa que estamos muito tensos, e se eles se desprenderem significa que estamos relaxados demais e nós não queremos isso em nossa meditação, queremos estar atentos, ligados ao mundo, conectados com tudo o que existe a nossa volta. ‘Fechar’ as mãos também tem um significado energético, não queremos receber qualquer tipo de energia enquanto estamos meditando, este é um momento de busca interior, diferente da oração quando colocamos as palmas das mãos para cima a fim de receber algum tipo de energia benéfica.
Voltamos então a atenção para a nossa respiração. Devemos inspirar o ar pelo abdômen, é como se o ar descesse pelo nosso nariz sem que a gente fizesse qualquer esforço, apenas relaxando o corpo e deixando o ar chegar aos nossos pulmões. O movimento de expelir o ar também é relaxado, o ar sai do nosso corpo com um movimento de relaxar os ombros o e o peito, como em um suspiro onde apenas relaxamos e soltamos o ar.
Com uma boa postura, as mãos cuidadosamente alinhadas e uma respiração relaxada, estamos em um estado físico propício para a meditação de Atenção Plena. Neste momento muitas técnicas podem ser usadas, eu gosto muito de iniciar minha meditação contando minhas respirações até 10 e iniciando novamente, tentando estar consciente de cada respiração, sem me preocupar com nada.
Quando um pensamento passa pela minha mente eu apenas o observo, sem dar atenção e sem julgá-lo, e principalmente sem tirar dele qualquer emoção. Muitas vezes o pensamento vem e eu não preciso nem que a minha voz interna complete a frase, eu começo a sentir ele como em um bloco mental, sem precisar de palavras para exprimi-lo. Pouco a pouco a mente vai se acalmando, a respiração diminuindo o ritmo e meu espírito começa a encontrar um estado onde eu não quero sair tão cedo. É reconfortante e calmo, é o meu melhor estado mental.
As dificuldades da Meditação para o ser humano ocidental
Chegar ao estado de plenitude, de paz interior, de união com o Todo, este é o objetivo da meditação. E uma vez encontrado esse estado mental, mesmo que por um instante, nosso foco é aproveitar o máximo dessa sensação, curtir cada segundo e se banhar em um estado de total alegria e contentamento. Esse pequeno momento irá inevitavelmente se refletir por todo seu dia, e se estimulado com frequência causará mudanças positivas inimagináveis em sua vida.
Mas entenda, o objetivo é o estado de plenitude, não as mudanças. Digo isso porque muitas pessoas acabam tendo experiências negativas com a meditação quando focam apenas nos benefícios terrenos, chegam em casa cansados do trabalho, estressados com algum acontecimento desagradável e tentam forçar uma meditação para ter resultados imediatos. Não é bem assim que a coisa funciona, é possível que o seu nível de stress inclusive aumente tentando meditar com um péssimo estado mental, com pensamentos agressivos chegando à mente a todo momento e com dores no corpo.
Quem nunca teve a experiência de tentar meditar em um estado emocional muito abalado e perceber que não está funcionando? Eu tinha uma amiga que vivia estressada e quando eu sugeria para ela a meditação ela se negava dizendo que já tentou e que era impossível para ela ficar sentada, parada, sem pensar em nada. Olhando hoje para o seu caso, seria realmente impossível para ela meditar, porque a meditação exige um mínimo de calma, de estado mental tranquilo para que a gente possa encontrar o estado de plenitude.
Vão ter momentos em que nossa energia está tão baixa, nossa sintonia mental está tão confusa e cheia de pensamentos dispersos que para nós é impossível nos desligarmos das tensões do corpo e dos problemas do dia a dia para iniciar uma meditação. Para esses momentos existem outras formas de elevar a energia, a qualidade dos pensamentos e o relaxamento do corpo e da mente.
Posteriormente em nossos posts eu vou querer tratar a fundo de exercícios que irão melhorar rapidamente seu estado emocional, técnicas comprovadas que irão aliar o stress, melhorar o sono, dar mais energia para o dia a dia, mas por hora queria apenas tocar em outras formas de meditação que podem ser melhor aproveitadas em dias mais conturbados.
As diferentes formas de Meditar
Quando falamos em meditação o que nos vem à mente é a meditação de Atenção Plena, onde nós tentamos silenciar a mente e apenas observar nossa respiração, os sons ao redor e os pensamentos que chegam e se dissipam rapidamente, mas existem outros tipos de meditação que podem ser igualmente benéficas e ainda mais direcionadas para nossas necessidades atuais.
A meditação em forma de Mantra talvez seja a mais clássica das meditações. Acredito que todos já vimos em filmes ou em algum documentário na televisão, cenas de monges recitando o mantra Om. Este mantra representa para os Hindus o ‘Todo’, aquilo que sempre foi e sempre será, seu som fecunda o Universo de tudo o que existe e é muito bonito pensar como isso pode elevar sua meditação.
Me lembro também das tantas vezes em que vi minha avó católica rezar o terço, e hoje percebo como aquele momento era uma meditação, as orações se tornavam mantras e elevavam seu espírito. Se em sua religião você tiver o costume de recitar versos, frases ou orações, busque tratar isso com o máximo de consciência possível, tente não se permitir fazer repetições no piloto automático, pensando em assuntos do dia a dia, para que esse momento te traga benefício para a mente e para a alma.
Com o advento da internet se popularizou um novo tipo de meditação, que é a meditação Guiada. Na meditação Guiada nos deixamos levar por uma voz gravada e aliviamos o peso dos pensamentos para atingir um maior relaxamento do corpo e da mente. Esse tipo de meditação se mostrou muito útil para os dias atuais, visto que as pessoas chegam cansadas em casa do trabalho, muitas vezes sem tempo para práticas mais prolongadas de meditação. Ouvir um áudio relaxante antes de dormir alivia as tensões do corpo, garantindo um sono de melhor qualidade podendo inclusive evitar insônia e noite mal dormidas.
Dos tantos tipos de meditação que existem vale citar um muito importante que falaremos ainda em muitos posts desse site, que é a meditação de Visualização. Esse tipo de meditação é direcionado para algo que você deseja em sua vida, seja um emprego, um parceiro/a ou um novo bem material. O processo é aliviar a mente das dúvidas e bloqueios, e se imaginar tendo aquilo em sua vida, imaginar as sensações e sentimentos que aquilo te traz, a alegria, a empolgação, a paz de espírito, imaginar que já temos o que queremos e sermos gratos por isso. Esse tipo de meditação é muito poderoso e já operou milagres em minha vida e na de muitas pessoas que conheço.
E você, já experimentou algum desses tipos de meditação? Quais foram os resultados? Tem vontade de praticar, mas ainda não adquiriu o hábito? Coloque nos comentários um pouco da sua experiência, assim podemos ir dialogando e crescendo juntos! Namastê.